O que é Em Si ôntico?

Da Ontopsicologia

Vídeo "O que é Em Si ôntico?", com Antonio Meneghetti. [+]

Sou o Prof. Antonio Meneghetti.

De trinta anos ou mais para cá procurei expor minhas descobertas científicas definidas na palavra "Ontopsicologia".

Infelizmente, essa ciência elementar não é de fácil compreensão.

Ainda que a aplicação do método, ou a práxis que dela se pode deduzir, seja bastante prática, fácil, operável praticamente por todos aqueles que possuem uma formação até mesmo aproximativa, quando porém queremos compreender o seu intrínseco significado, portanto, o "coração secreto" desse conhecimento, não é fácil, absolutamente não é fácil.

Justamente porque é um conhecimento, ou melhor, uma racionalidade elementar. Elementar para mim significa "possuir critérios de análise, possuir critérios que autorizam, por evidência", ou seja, evidência é a identidade entre conceito e real, e realidade. Trata-se de entrar na evidência deste epistema da vida. Este conhecimento, essa racionalidade elementar, requer mentes com capacidades intelectivas, devo dizer, bastante extraordinárias.

Ora, esse encontro é a tentativa de dar uma aproximação legítima sobre o que seja esta Ontopsicologia.

Devo por a premissa que há mais de trinta anos eu já tinha uma formação total sobre tudo o que era o cogniscível: filosofia, psicologia, sociologia, melhor ainda, qual é a problemática do que é o mal obscuro, a incompreensibilidade, o sentido de falência, o sentido de provisoriedade, o sentido de probabilismo sobre o humano.

O homem para mim é o objeto primário de amor, de paixão, de ciência.

Nós nos interessamos do universo por que estamos nele, mas fundamental é o problema da nossa verdade. Ou seja, como a vida, o cosmos nos configura, nos identifica e como nós podemos interagir com vantagem, com ganho na tomada direta da natureza viva e como tomar a sanidade, o sucesso, a realização enquanto se vive.

O primeiro passo foi aquele de "curar". Curar aquilo que se chama neurose, esquizofrenia, psicossomática etc. A psique é uma coisa muito séria, é uma coisa extraordinária, é a primeira fonte de toda energia, a primeira semente de valor.

E então, antes de tudo, Ontopsicologia, em palavras pobres:

Portanto, um sistema racional aplicado.

Na competência que eu tinha há diversos anos atrás, incluso o impacto psicanalítico de Freud, Jung, etc. mas tantos outros, também a formação sobre tudo o que é a psicologia do sacro, a competência religiosa. Na realidade eu tinha exaurido com simplicidade a compreensão do que, para muitos, a teologia expõe como mistérios. Tinha compreendido com simplicidade as elocubrações em relação a um impossível da inteligência do homem. Filosoficamente tinha entrado na simplicidade: "o ser é, todo o resto não faz sentido". E só o que faz parte intrínseca desse simples ser faz depois realidade vital, realidade de sucesso.

Ora, nas várias descobertas que fiz, onde tive a resposta dos meus conhecimentos, das minhas experimentações, feitas por ao menos dez anos, através da clínica, ou seja, a cura de tantos sintomas, em várias partes do mundo, em várias etnias, em várias psicologias. Curar o sintoma significava interceptar qual era a mensagem, o código que a vida usa para a própria sanidade, porque a doença é sempre um distúrbio, um desvio, algo atravessado, algo impróprio, que nós verificamos, mas é sempre por defeito: o erro, a doença, é algo de póstumo, histórico, agregado, não faz parte do Em Si da vida por si mesma.

Portanto, o homem era errado desde o princípio ou o doente está em dor porque algo de si mesmo se introduziu de modo errado, ou ele mesmo inconscientemente uniu na sua intimidade?

Andando dentro do assim chamado "inconsciente", do assim chamado "lado obscuro" da mente do homem, andando até o fundo, vi, descobri que há um princípio, o idêntico princípio da vida em si, participado em todas as existências e, na individuação, no homem singular, há essa participação, ou seja, nós somos viventes na medida em que somos conexos, temos o nexo ôntico, o nexo causal com a vida, em sentido de sanidade, ação, projeto.

Esse princípio da vida, mas do qual nós somos também participação, implica um projeto, ou seja, como a vida nos projeta no conjunto de sua totalidade. E esse projeto é verdadeiramente maravilhoso, é um projeto que se expõe por meio de biologia, neurologia, expõe-se por meio de tatilidade, percepção, instintos, emoções, mas tudo isso são fenômenos, é fenomenologia. No Em Si puro, este projeto, que depois chamei "Em Si ôntico", ou seja, o "Em Si do ser que somos", essa semente, esse núcleo que é invisível de per si, é totalmente transcendente de per si, que porém se presencia, se manifesta quando e sempre é operativo desta vitalidade da qual cada um de nós é corpo, é matéria, é ação histórica etc. ou seja, tudo aquilo que é o filme, o teatro do nosso viver, do nosso existir, é ativado, encontra a sua razão, encontra a sua identidade nesse Em Si da vida que é projetual.

Então, uma vez que o descobri, procurei adaptá-lo no interior dos processos patológicos e essa semente, esse núcleo dava a indicação e bastava executá-la para ter a cura perfeita, ou seja, o sujeito era reintegrado na sanidade original da qual ele mesmo fazia parte e era preciso tolher o sobreposto. O sobreposto não-lógico, impróprio, cuja sede primária estava na consciência, ou seja, como o Eu pensa, como cada um de nós acredita. Uma coisa é a opinião, outra coisa é o real em si. Opiniões, hoje tudo é opinião, mas a natureza, a sanidade têm uma simplicidade categórica, inequivocável.

Então, este Em Si ôntico, este princípio do qual foi difícil, não tanto encontrá-lo, mas foi difícil colher a sua linguagem, colher o seu código, o modo do seu ditado, de suas indicações, por meio dos sintomas, por meio do sonhos, por meio de todas as expressões que um sujeito usa por língua, civilidade, tipologia, em suma, colher esta linguagem, este comunicado para além das próprias aparências, da própria fenomenologia. E o encontrei. De fato, este Em Si ôntico comunica por meio dos códigos da nossa biologia, também em sentido arcaico, por meio dos nossos sonhos.

Para mim foi difícil centrar a lógica de comunicação desse princípio, desse Em Si ôntico e, uma vez encontrada, que todo sujeito possui, em dote natural, uma vez encontrada basta usá-la, basta segui-la e o sujeito experimenta antes de tudo a saúde.

Posteriormente, sempre seguindo este projeto inato, redescoberto, selecionado de todas as impropriedades de cultura, de convicções, de hábitos etc., esse núcleo que pensa sempre a identidade do próprio projeto, conexo com a vida, o indivíduo começa a fazer uma autocriação, autoconstrução - que chamo autóctise histórica - e essa autóctise, esta autoformação, autocriação quotidiana, por meio de mil particulares, que cada um pode fazer em si mesmo, essa autóctise é importante que seja conexa com esse projeto do Em Si ôntico porque esse Em Si ôntico é conexo, é a mesma coisa que aquele princípio universal que a vida usa para si mesma por meio das flores, dos pássaros, do ar, do átomo, da molécula, ou seja, o mundo, o íntimo mundo-da-vida.

E nós, entrando nessa percepção unívoca do nosso projeto, conseguimos primeiro reestabelecer a nossa funcionalidade global, integral, e depois, também uma sucessiva diria especialização na alegria, na personalidade. Em caso contrário, se não seguimos, se não conhecemos, experimenta-se a habitual vida de "stress", restando sempre um pouco desorientados, restando sem a amizade unívoca com aquela vida que nos dá, depois, satisfação. Em suma, a vida é bem feita, é verdadeiramente estupenda e é magnífico vivê-la na plenitude. Naquela plenitude da qual nós de qualquer modo somos participação viva.

Bem, esta é a Ontopsicologia em sua sumariedade. A partir dessas considerações iniciais que procurei dar-lhes, sem trair a sua íntima racionalidade elementar, penso que poderá ajudar àqueles que queiram entrar depois nos meus livros, que são de fato belos, fazem sempre festa, mas não porque eu os escrevi, mas porque consegui compreender o alfabeto, o código literário, podemos dizer assim, como a vida fala, mas nos ativa, nos causa, nos faz e nos comunica.

Até breve!

Referências

  1. O Em Si do Homem. 5 ed. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2004. ISBN 85-8838115-X
  2. Dicionário de Ontopsicologia. 2 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Editrice, 2008. ISBN 978-85-88381-41-4
  3. A crise das ciências européias e a fenomenologia transcendental, Edmund Husserl. 2 ed. (alemão). Haag: Martinus Nijhoff, 1976. ISBN 90-247-0221-6
  4. Manual de Ontopsicologia. 4 ed. rev. Recanto Maestro: Ontopsicologica Ed, 2010. ISBN 978-85-88381-52-0
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